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O que será do cerrado?
O coração, a caixa d'água do Brasil
'Tá cada vez mais seca do que já se viu
A mais diversa das savanas do planeta
De tantas plantas e animais, mais incompleta
Nossa floresta mais antiga e anciã
Ameaçada de não ter mais amanhã
Façamos algo, rápido, façamos já
Pelo bioma que aos demais tanto se dá
Por todo filho, todo neto, por amor
Por todo santo inseto polinizador
Por tudo quanto é sagrado
O que será do cerrado
Na mão de homens tão ingratos quanto insanos?
Gerado há mais de sessenta milhões de anos
Não há de ser em poucas décadas encerrado
Nem tratorado, nem queimado, nem serrado
Pela riqueza que o cerrado em si encerra
Pelo pequi, a flor, o ipê, o céu, a serra
Pela caverna, a cachoeira e o mirante
Pelo capim-dourado lindo, radiante
Que nos alegra a melancólica visão
De um mau futuro envolto agora em cerração
Finalmente des-cerrado
O que vai ser do cerrado
Vai depender de o deixarmos ser o cerrado
O que vai ser do cerrado
Vai depender de o deixarmos ser o cerrado
O que vai ser do cerrado
Vai depender de muda na legislação
Ou na derruba não vai ter alteração
Pois o desmate que é legal, legal não é
Permite que desmatem muito, não dá pé
Oh, não deixemos que o "agro-tudo" da boiada
Degrade e mude quase tudo em quase nada
Pela nascente que ainda não morreu
E o descendente que ainda não nasceu
Por toda ação que regenera e que revive
Por toda a fauna, toda a flora, inclusive
Por todo grão, todo gado
O que vai ser do cerrado
Vai depender de o deixarmos ser o cerrado
O que vai ser do cerrado
Vai depender de o deixarmos ser o cerrado
O que vai ser do cerrado
Vai depender de o deixarmos ser o cerrado
O que vai ser do cerrado
Vai depender de o deixarmos ser o cerrado