Pifou o nosso encontro
Não pudemos nos encontrar
Trincou a sorte, um vidro corte exposto
Nem me assistiu o seu olhar
Quero curar a dor dessa ferida
De uma cisão que não sei costurar
Feito motor que falta gasolina
Bicicleta sem ninguém pra pedalar
Se espatifou como um cristal o sonho
A tua rede livre a balançar
Verdura, fruta, tarde do meu gosto
Saudade assusta sem poder matar
Quero escrever seu nome nessa vida
O meu coração enfeitam os teus as
Faz coleção de sílabas repetidas
O avião do tempo que congelará
O amanhã não vai trazer
A sua voz me falta
Desatinou na minha carne e osso
Tua pupila sem poder mirar
A chuva ajuda a enxaguar o rosto
Da tinta que os olhos teimam em chorar
Quero estender o meu futuro à vista
Com o quê foi feito e o que não se fará
Guardar no peito dentro da camisa
A imensidão de sentimentos desse mar
Tempo em silêncio denso em carne viva
Ermo firmamento mesmo termo altar
Fonte nascimento, vento Sol brilho luar
Entro em movimento, desço dobro a esquina
Não desapreço, rumo circular
Ergo dentro um templo, guardo imenso o seu lugar
Desafiou a rubra face o rosto
Minha pupila frente ao seu olhar
A chuva muda, enxugar o fosso
A vista dos meus olhos cheios desse mar
Quero entender o meu, a vida
O que não fui feito e ainda se fará
Mostro meu peito, abro a camisa
A multidão de ferimentos vou curar
O amanhã que irá nascer
Sem sua voz se cala
Sua voz se cala
Sua voz se cala
Sua voz se cala
Sua voz