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"Ao frescor do dia, ouvi Tua voz
Mas me escondi..."
Há um silêncio no jardim
Não o silêncio que descansa
Mas o que carrega o peso
De um nome recém-partido
Folhas tremem sem vento
O chão respira mais fundo
Algo mudou a cor da manhã
E até o sol parece tardio
Passos leves... perguntas nuas..."Onde estás?" rasga o véu das ramas
E ouvi Tua voz, porém corri do Teu olhar
Trouxe a distância entre o pó e o sopro
Costurei vergonha onde vestias luz
O fruto ainda brilha nos dedos
Doce e feroz, promessa de olhos abertos
Mas os olhos que se abriram
Viram-se fechados por dentro
A serpente ri sem eco
Cola mentiras no pó
E o coração, feito de hino
Aprende a batucar em dó
No jardim suspenso da memória
Ecoa o clamor dos séculos
Folhas não curam feridas
Sombras não escondem a solidão
Ainda persigo Teus passos
Mesmo ferido pelo meu
Anseio pelo som da promessa
Que esmagará a cabeça do engano
Se ainda falas
Devolve-me ao primeiro som
Teu respirar sobre o barro
Tua luz desarmando as trevas
Que o silêncio deste jardim
Vire semente de redenção
Até que a manhã definitiva
Floresça sem medo em mim