Natureza viva
Terra mãe, sua ferida
Essas chagas são maldição
Dessa queda infinita
Natureza morta
Não se renova, se savaniza
Reconstrói tuas mazelas
Pelo choro da floresta
O mundo se desfaz sobre minha mão
O pó da folha morta vai deslizando ao chão
A falência do projeto civilizatório
Se anuncia o fim da era de extração
Que vê a terra como um recurso
E assalta dos rios o seu fluxo
A terra dá, mas ela quer de volta
Chegou sua hora de nos devorar
O fim é o mesmo
Pra tudo que respira
A vida não é útil
Meu corpo não é mercadoria
Sente agora o gosto do céu
Que veio a terra derreter suas entranhas