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Roubaram tudo no passado, sequestrando o futuro. Nos amarraram e
levaram pro seu mundo. Queimaram o registro da nossa história, querem
relativizar nossa memória. Comercializam os meus antepassados. Sabemos bem
quem foi capturado. Filho miscigenado pelo estupro. Crescendo em cativeiro, em
vida, vivendo em luto. Corrente pra prender. Mordaça pra calmar. Chibatada pra
ensinar. Corta a língua pra calar. Em memória dos que se foram. Força a quem tá
aqui. Que estejamos sempre fortes, mas luta que ainda vão vir. É ódio na
escrita, de toda palavra dita. Trazemos nos corpos, marcas por toda vida. De
vida devastada, de raça subjugada. Lógica capital da sociedade escravocrata.
Sociedade escravocrata. Lógica capital da sociedade escravocrata. E que se faça
justiça queimando todo racista. Que se faça justiça queimando todo nazista.
Queime no fogo o supremacista. E que se faça justiça queimando todo racista. E
que se faça justiça queimando todo racista. E que se faça justiça queimando todo
nazista. Queime no fogo o supremacista. E que se faça justiça queimando todo
racista. Ok, ok, ok, ok, nego. Por quem sabe que nada mudou. Por quem faz algo
mudar. Nós estamos num ciclo vicioso. O sangue do meu povo escorre aqui de novo.
Eu corro mais que posso. Eu mato mais que morro. Contagem dos corpos. 500 anos
de desaforo. Disponham meu posto. Respeite o suor do meu rosto. Preto, negro,
pelé é crioulo. Criar de perifa. Tarefa deles. cumentar nossa tarifa. Te ver a
deriva. Favela, senzala, escala, escravagista. O passado se confunde. c
liberdade é uma conquista cara. Sem documento, neguinho. São dois tapa na cara.
Oito tiros de advertência. Deus, família e pátria. Na pele, alvo dessa
bala achada. Brasil. Democracia de fachada. cté meu sobrenome pertence a algum
senhor. Que supostamente escravizou meu bisavô. Traficante não. Sou vendedor,
filho de Xangô. Pra não dizer que... Pra não dizer que eu não falei das dores.