
TODA AFLIÇÃO DO MUNDO (Guilherme Arantes)
A procela da noite é um breu
A tempestade vem castigar
A fé que te enxuga o choro
Dispara o arpão do olhar
Nos cachopos de um mar sem nau
Nenhum sextante, só intuição
Por entre calhaus sem alma, vaga
A incauta embarcação
Toda aflição do mundo...torturando teu ser
Toda ambição do mundo...sequestrando você
Pavilhões em mastros sem lei
Tremulam rotos sobre o convés
Alianças que te acorrentam o pulso
Ao remo das galés
A ampulheta se esvai em vão, e a areia
É um deserto onde naufragou
O teu tesouro de tolo
Num oceano que secou
Soluções, solidões do mundo... pervertendo o prazer
E aberrações do mundo...te fazendo descrer
Toda aflição do mundo... e o mundo nas mãos.
O mundo nas mãos...o mundo nas mãos...
É a arma na mão de um fraco, mandando obedecer...
A potência de sofrimento, o que tem a oferecer...
A ameaça é o seu instrumento, o que sabe tocar...
Natureza negou talento de se fazer amar...
Pra desenhar o retrato do Outro
Lado que o olho te ensina a viver
Sem um modelo despido no medo
Só a leveza infantil de aprender
Joga-se o ressentimento emprestado
Não representa de fato você
No recipiente a ser reciclado
Dele mistura-se um novo matiz
O velho papel que te embrulha é pesado
O novo te leve a um presente feliz
Nem é preciso enfeitar nenhum laço
Sabe-se laço afetivo ou refém
Sabe-se lá o fundamento do vício
Sempre custar o sacrifício de alguém
Importa saber como fica o afeto
Em tempos de cólera ele adormeceu ... também
(Desídia...) Afetou ... (na Ágora...)
A quem...? (Quem chora ?)
Você e eu...E agora?
Hoje a águia só quer planar
Sobre os camarotes do Coliseu
Onde Zeus dá seu show de horrores
E ao povo, as dores que Prometeu....
Soluções, solidões do mundo... pervertendo o prazer
E aberrações do mundo...te fazendo descrer
Toda ambição do mundo...sequestrando você
Toda aflição do mundo...torturando teu ser
Toda aflição do mundo... e o mundo nas mãos.
O mundo nas mãos...
O mundo nas mãos...